— Mãe, por que é que o sol brilha mais do que as outras estrelas? — perguntou o miúdo, com os olhos muito abertos de curiosidade.
A mãe sorriu com ternura e respondeu:
— O sol é a estrela mais sorridente do universo, e também a mais gulosa. Está sempre a comer cenouras e morangos. As cenouras do sol são os raios de luar, e os morangos são os meteoritos. Assim que acaba de comer, põe-se a sorrir. E o seu sorriso é tão bonito e tão intenso que esconde o sorriso das outras estrelas.
Às vezes brilha com tanta força que dá origem ao verão. Acho que o sol também gostava de vir connosco à praia, mas como vive lá muito longe, diverte-se a ver-nos nadar. É muito brincalhão e, só para nos ver um bocadinho arreliados, brilha com tanta força que nos obriga a fugir da água e a procurar uma sombra. As sombras não existiam — foram inventadas pelas árvores por causa das tropelias do sol, que não parava quieto nem por um instante.
O sol nunca dorme, mas para nos deixar descansar decidiu brilhar apenas para metade do planeta de cada vez. É nessas alturas que nos deixa às escuras. Mas há muitos, muitos anos, prometeu-nos que não precisávamos de ter medo, porque voltaria sempre no dia seguinte. E, para que não ficássemos totalmente sem luz, apresentou-nos ao seu primo mais pequeno, o fogo, que ainda hoje, em muitos lugares do mundo, substitui o sol quando ele se vai embora.
O sol também é muito maroto, e a sua principal distração é derreter os gelados dos meninos. É por isso que os gelados têm de ser comidos com muita pressa — antes que o sol, irrequieto como sempre, os derreta só para se rir um pedacinho.
Mas o sol não é só brincalhão. É também um excelente professor. E aquilo que nos ensinou de mais bonito foi a sorrir. Explicou-nos que sorrir faz bem a nós e aos outros, e que torna os dias mais leves, mesmo quando o malandro do nevoeiro não deixa ver o seu sorriso dourado.
Sorrir também é uma forma de dizer às pessoas que gostamos delas. É por isso que as mães estão sempre a sorrir para os filhos — porque os amam com uma luz que nunca se apaga.
O garoto, que até ali escutava atentamente com um ar muito sério, deixou escapar um sorriso tão cheio de luz que, por um instante, a mãe quase o confundiu com o próprio sol.
Abraçaram-se devagar, como quem guarda um tesouro, e ficaram assim, juntinhos, à espera que o sol fosse visitar o outro lado do mundo.
Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados

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