domingo, 18 de janeiro de 2026

O VENTO

Dedico esta primeira história a alguém especial que celebra hoje o seu aniversário.

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A criança perguntou ao pai o que era o vento. O pai sorriu com ternura e explicou:

Quando as árvores do mundo inteiro começam a sentir calor, abanam-se com tanta vontade que criam ondas gigantes de ar. É a maneira que encontram de se refrescar.

Lá no alto, as aves — sempre desejosas de um pequeno descanso — abrem as asas e deixam-se levar, planando devagarinho. Aproveitam para que o vento lhes faça cócegas debaixo das asas, porque, coitadinhas, não têm mãos para se coçar.

Cá em baixo, os humanos às vezes não gostam muito do vento, porque ele insiste em despentear toda a gente… excepto aqueles que passeiam pelas ruas com penteados tão ousados que até parecem feitos de correntes de ar. Quem adora mesmo o vento são os moinhos e os barcos.

Os moinhos, felizes, rodopiam e cantam baixinho em sinal de agradecimento.

As velas dos barcos abrem os braços e abraçam o ar fresquinho que chega das árvores abanadiças, correndo pelos mares com alegria e entusiasmo.

Os barcos detestam ficar parados. Ficam radiantes quando deslizam sobre as águas, porque é durante essas viagens que podem conversar com os golfinhos. Os golfinhos, além de serem excelentes nadadores, são ainda melhores conversadores. Adoram viajar e contam aos barcos as suas aventuras pelo mundo — histórias de correntes misteriosas, peixes que brilham no escuro e tempestades tão fortes que fazem nascer formigas nas barbatanas. Juram que as sereias existem e que cantam canções doces como o luar.

Prova disso são os peixes‑borboleta. Contam as baleias que, certo dia, ao ouvirem as sereias entoar canções doces como o luar, aqueles peixinhos ficaram tão maravilhados que até se esqueceram de nadar. Desde então, esvoaçam dentro de água como verdadeiras borboletas marinhas, abrindo e fechando as barbatanas como se fossem asas coloridas. As baleias divertem-se com as suas travessuras e protegem-nos com carinho, soprando pequenas nuvens de bolhas para que dancem no meio delas. E os peixes‑borboleta, agradecidos, iluminam o mar com as suas tonalidades brilhantes, lembrando pedacinhos de arco‑íris perdidos no fundo do oceano. Deixam rastos de cor por onde passam, como se pintassem o mar. Alguns fazem espirais, outros desenham flores, e há até os que escrevem mensagens secretas para quem souber ler.

Quando o vento atravessa as nuvens com demasiada força, empurra-as umas contra as outras. As nuvens grandes e pesadas, para fugirem ao vento traquina, deixam cair a água que guardam lá dentro, para ficarem mais levezinhas. As plantas e as árvores aproveitam para tomar banho, e o mundo inteiro fica mais fresquinho.

— Claro, isto é apenas o que sabemos até agora. Amanhã o vento pode trazer-nos outras descobertas — concluiu o pai, piscando o olho.

A menina olhou para o pai, encantada com tudo o que ouvira. Abriu os braços e pôs-se a imitar o voo de um pássaro. Depois, os dois desataram a rir à gargalhada, com o vento a brincar à volta deles.

Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados

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